Oito estados têm falhas no transporte público identificadas pelo governo no segundo turno
O monitoramento da mobilidade urbana durante o processo eleitoral ganhou novos contornos após o levantamento realizado pelo setor de inteligência do governo federal. A fiscalização apontou irregularidades e gargalos na disponibilização de transporte público para os eleitores em diferentes regiões do país, exigindo respostas rápidas dos órgãos de controle e da Justiça.
As apurações preliminares indicam que o impacto no deslocamento da população variou conforme a localidade, mobilizando autoridades de segurança, agências reguladoras e o Ministério Público Eleitoral para garantir o direito ao voto.
O levantamento do Ministério da Justiça nos estados
O Ministério da Justiça identificou falhas na oferta de ônibus para eleitores em oito estados no segundo turno: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas, Rio de Janeiro e Paraíba. O levantamento reúne dados do Ministério Público Eleitoral, de agências reguladoras estaduais e de gestores do transporte.
Em Sergipe, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar quem atrapalhou o voto e reteve veículos nas garagens. Em São Paulo, Alagoas, Piauí e Bahia, os fatos ainda estão em apuração, com depoimentos de pessoas diretamente envolvidas no fornecimento do transporte público. No Rio, a Secretaria de Segurança Pública disse não ter registrado ocorrências ligadas à falta de ônibus.
A situação crítica em Salvador e desdobramentos
O caso mais grave foi em Salvador, onde a frota circulou com menos da metade do previsto. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia mandou prender o secretário de Mobilidade da cidade, Pablo Souza. A prefeitura informou que ele está em Paris, em missão oficial, e volta nesta segunda-feira (26) para prestar esclarecimentos.
A coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Lula, também pediu a prisão do prefeito de Salvador, Bruno Reis, mas o pedido ainda não havia sido analisado pelas autoridades competentes.
Prorrogação da votação e atuação do Supremo Tribunal Federal
Diante dos problemas de mobilidade, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou até as 19h o horário de votação em todo o país. A decisão atendeu a pedido da coligação do presidente Lula, motivado por falhas na oferta de transporte público.
Separadamente, a campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado a extensão do horário em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando dificuldades de deslocamento provocadas pelas chuvas registradas na data.
Balanço de segurança e operações integradas
O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, que representou o ministro da Justiça na coletiva, lembrou que a pasta determinou a circulação das frotas e ampliou o horário de votação para assegurar a participação popular.
No balanço do dia, o diretor de Operações Integradas e Inteligência do ministério, Anchieta Nery, disse que mais de 320 mil policiais atuaram na votação. Até as 17h, foram registradas 413 ocorrências criminais, contra 1,4 mil no primeiro turno do pleito, conforme dados oficiais divulgados em Agência Brasil.
A Polícia Rodoviária Federal registrou 27 interdições em rodovias, todas com vias alternativas disponíveis, e informou que não há registros consolidados de eleitores que tenham deixado de votar por causa dessas ocorrências nas estradas.
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