Sesc lança iniciativa para valorizar o artesanato e a cultura comunitária
A cultura popular e a força da produção artesanal ganham espaço de destaque com o lançamento de um novo projeto cultural na unidade do Sesc Ler Belo Jardim. A programação oficial tem início nesta sexta-feira (30), reunindo feira de artesanato, exibição de peças exclusivas e a abertura de uma exposição inédita dedicada à trajetória de uma das maiores referências da arte em barro da região.
A proposta busca não apenas expor trabalhos manuais, mas criar um canal direto entre os saberes tradicionais do interior e o público em geral. A iniciativa reforça o papel das instituições culturais na preservação da memória coletiva e na geração de visibilidade para comunidades tradicionais que moldam a identidade do estado e do país através de gerações.
Feira de artesanato e abertura de exposição
As atividades começam às 16h com uma feira de artesanato voltada para a comercialização e divulgação da produção local. Logo em seguida, a partir das 19h, a Galeria de Artes da unidade recebe a abertura oficial da mostra intiulada “O chão daqui é igual ao de lá – Mestra Luíza dos Tatus”, marcando o início da programação artística da temporada.
A exposição integra o Projeto Vias da Arte e deve ocupar o espaço expositivo até o dia 15 de fevereiro de 2027. O público interessado pode conferir as obras gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, sendo disponibilizado atendimento telefônico para o agendamento prévio de grupos escolares e coletivos culturais interessados em visitas mediadas.
Tributo a mais de cinco décadas de dedicação ao barro
A grande homenageada da mostra é a artesã Mestra Luíza dos Tatus, nascida no Sítio Rodrigues, distrito de Água Fria, zona rural de Belo Jardim. Ao longo de mais de cinco décadas dedicadas ao trabalho manual com o barro, ela construiu um acervo singular focado na representação da fauna local.
A exposição reúne esculturas marcantes de animais como tatus, tartarugas, lagartixas e iguanas. O legado da artesã permanece vivo por meio da transmissão de saberes para as novas gerações, inspirando familiares e vizinhos que mantêm viva a tradição oleira no agreste pernambucano, conforme detalhado em portais como o Sesc Pernambuco.
Participação de mestras da comunidade e curadoria especializada
Além do acervo da Mestra Luíza, o evento conta com a participação de outras importantes figuras da comunidade rural. Peças exclusivas produzidas por sua filha, Carol dos Tatus, e pelas mestras Neguinha e Cida Lima também compõem o panorama artístico apresentado ao público da região.
A curadoria e a expografia do evento levam a assinatura do artista e ceramista Humberto Botão, que organizou as peças de modo a valorizar a ancestralidade e a estética própria do Sítio Rodrigues. A articulação entre técnica, estética e vivência comunitária é apontada pelos organizadores como o grande diferencial da mostra.
Fases do projeto e preservação da memória coletiva
O planejamento da instituição prevê que a iniciativa seja dividida em três etapas distintas ao longo dos próximos meses. A segunda fase está agendada para o dia 21 de novembro, enquanto a conclusão da programação integrada deve ocorrer no dia 5 de dezembro.
Para a gestão local da unidade, o projeto vai além de uma simples vitrine comercial para os artesãos da zona rural. A proposta atua como um instrumento fundamental de resgate histórico, garantindo que as histórias e as técnicas dessas mulheres permaneçam documentadas e acessíveis para as próximas gerações.
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