Moeda americana encerra cotada a R$ 5,44 e acumula disparada semanal recorde desde 2008
O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão, combinando uma disparada expressiva do dólar e uma queda acentuada na bolsa de valores. Nesta sexta-feira (30), a moeda estadunidense avançou cerca de 1% e fechou perto de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167,9 mil pontos.
Na avaliação de analistas, o movimento reflete uma conjunção complexa de fatores locais e externos. O desempenho dos ativos foi marcado pelos ajustes do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelas incertezas persistentes sobre a política fiscal brasileira. No cenário internacional, a forte retração nas ações de empresas tecnológicas e de inteligência artificial também pressionou o câmbio.
Movimentações do mercado cambial
O dólar comercial fechou a sexta-feira em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, alcançando o maior valor de encerramento do ano. Durante a sessão, a cotação chegou a bater em R$ 5,463 antes de registrar uma moderação parcial no final do pregão.
Na semana que sucedeu o segundo turno das eleições presidenciais, a moeda acumulou uma valorização de 9,15%. Esse salto representa o maior ganho semanal registrado desde outubro de 2008, período marcado pela grave crise financeira internacional.
Parte da volatilidade observada no período esteve associada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central que serve de referência para contratos futuros de câmbio. Além disso, a cautela dos investidores aumentou diante da expectativa pelo anúncio da equipe econômica e pela proximidade de um fim de semana prolongado.
Desempenho negativo da bolsa de valores
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira com queda de 0,75%, situando-se aos 167.921,80 pontos. O resultado coroou o quinto pregão consecutivo de baixa para o principal índice da bolsa brasileira.
No acumulado da semana, o indicador sofreu uma desvalorização de 18,12%, a pior marca desde março de 2020. Naquele momento, o mercado reagia aos impactos iniciais da pandemia de covid-19 e havia recuado 18,88%.
A pressão sobre as ações nacionais ganhou intensidade logo após a confirmação da reeleição. No primeiro dia útil após o pleito, a queda acentuada acionou o circuit breaker na B3, refletindo a saída expressiva de recursos estrangeiros do mercado secundário ao longo dos dias seguintes.
Fatores do cenário externo
Além das questões domésticas, o ambiente internacional desfavorável pesou de forma determinante sobre os ativos brasileiros. Os investidores demonstraram cautela redobrada com os rumos das bolsas globais, influenciados pelo comportamento de gigantes do setor de tecnologia nos Estados Unidos.
Em Nova York, o índice S&P 500 registrou queda de 1,82%, refletindo o ceticismo em torno dos investimentos massivos em inteligência artificial e das perspectivas para as taxas de juros globais.
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