Mergulhadores capturam 138 peixes-leão em operação de manejo em Fernando de Noronha
Uma operação de manejo realizada na última quarta-feira (28) resultou na captura de 138 exemplares do peixe-leão em Fernando de Noronha. A ação, conduzida por profissionais da operadora Sea Paradise com a autorização oficial do Instituto de Pesquisa Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), reforça os esforços contínuos para conter a proliferação da espécie exótica nas águas do arquipélago.
O avistamento e a retirada desses animais exigem planejamento técnico e conhecimento profundo do ecossistema local. O avanço do peixe-leão na costa brasileira é acompanhado de perto por pesquisadores e órgãos ambientais devido ao potencial de desequilíbrio ecológico que o animal representa para a fauna marinha nativa.
Operação em profundidade no litoral
A retirada dos animais ocorreu em um ponto estratégico situado entre o Porto de Santo Antônio e a Praia da Conceição, conhecido popularmente como Cabeço 47. O local, localizado a 47 metros de profundidade, apresenta características geográficas que favorecem a agregação da espécie.
Coordenador da ação, Fernando Rodrigues destacou que a equipe já esperava encontrar uma concentração considerável de animais naquela faixa específica. No entanto, o volume total surpreendeu os profissionais envolvidos, evidenciando a densidade populacional que a espécie vem alcançando na região.
Impacto na biodiversidade marinha
Classificado por especialistas como um predador altamente agressivo, o peixe-leão não possui predadores naturais suficientes no ambiente marinho brasileiro para controlar sua reprodução. Essa ausência de controle biológico natural permite que a espécie se multiplique rapidamente e exerça forte pressão sobre a fauna nativa.
Dados apontam que o animal tem capacidade de consumir até 20 peixes pequenos em um intervalo de apenas 30 minutos. Como Fernando de Noronha abriga espécies endêmicas que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta, a predação desenfreada acende um alerta vermelho para o risco de extinção local de organismos marinhos exclusivos da região.
Histórico da espécie no Brasil
Nativo da região Indo-Pacífica, o peixe-leão foi registrado pela primeira vez no Brasil no ano de 2014, no litoral do Rio de Janeiro. Desde então, a expansão territorial da espécie avançou por diferentes estados costeiros, incluindo Pernambuco, Ceará, Alagoas e Bahia.
A reprodução acelerada é outro fator de preocupação para os ambientalistas. Cada fêmea da espécie consegue liberar até 30 mil ovos em uma única desova, com um ciclo de eclosão curto que leva cerca de 26 dias. Além disso, o animal possui 18 espinhos venenosos, representando riscos diretos não apenas para o equilíbrio ecológico, mas também para banhistas e mergulhadores, cujo contato pode provocar dores intensas, náuseas e quadros clínicos graves.
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