Litoral Sul pode fazer história em 2026: se quatro nomes chegarem à Assembleia, quem terá de arrumar as malas?
A eleição de 2026 começa a desenhar um cenário que pode mudar significativamente o mapa político de Alagoas, especialmente na região do Litoral Sul.

Quatro nomes aparecem em um mesmo tabuleiro eleitoral, cada um carregando uma trajetória, uma estrutura política e uma base de apoio diferentes: Mesaque Padilha, Marcos Beltrão, Guilherme Lopes e Henrique Chicão.
A eventual eleição dos quatro produziria um fato político de grande relevância: Coruripe poderia passar a ter, pela primeira vez, três deputados estaduais diretamente ligados ao município — Mesaque Padilha, Marcos Beltrão e Henrique Chicão — enquanto o Litoral Sul, incluindo Guilherme Lopes, de Penedo, chegaria a quatro representantes na Assembleia Legislativa.
É uma hipótese. Mas é justamente uma hipótese que já movimenta os bastidores.
E, se ela se confirmar nas urnas, uma pergunta inevitavelmente surgirá em Alagoas:
quem terá de abrir espaço na Assembleia para a chegada dessa nova bancada do Litoral Sul?
Coruripe no centro da disputa
O aspecto mais simbólico desse cenário está em Coruripe.
Historicamente, o município exerce influência política importante na região, mas uma eventual eleição simultânea de três representantes diretamente ligados à cidade colocaria Coruripe em uma posição inédita dentro da política estadual.
Mesaque Padilha, Marcos Beltrão e Henrique Chicão possuem trajetórias distintas, mas têm em comum uma forte identificação com o município e com o Sul de Alagoas.
Se os três conseguirem chegar à Assembleia, Coruripe não teria apenas um representante. Teria uma bancada própria.
E isso poderia significar mais força na disputa por investimentos, obras, saúde, infraestrutura e espaços dentro do governo estadual.
Mais do que quantidade de cadeiras, seria uma demonstração de força eleitoral.
Mesaque Padilha: mandato, religião e atuação social
Atual deputado estadual, Mesaque Padilha parte para mais uma disputa pela Assembleia Legislativa com uma estrutura política já consolidada.
Ex-vereador de Coruripe por seis mandatos e ex-presidente da Câmara Municipal, Mesaque chegou à Assembleia em 2022 com 29.102 votos.
Um dos principais componentes de sua força política está na ligação com a Assembleia de Deus em Alagoas, instituição que possui uma ampla presença no estado. Mesaque mantém uma relação pública próxima com a denominação e com suas lideranças.
A atuação social também é uma marca do parlamentar. Por meio de iniciativas ligadas ao Instituto Leal e de ações na área da saúde, o grupo político de Mesaque procura ampliar sua presença para além do ambiente eleitoral.
Em 2024, por exemplo, o deputado divulgou a entrega de uma clínica móvel equipada para atendimento médico, com o objetivo de levar serviços de saúde a diferentes regiões.
Com mandato, experiência eleitoral e uma rede de apoio que ultrapassa os limites de Coruripe, Mesaque entra na disputa buscando não apenas renovar a cadeira, mas ampliar sua votação.
Marcos Beltrão: o grupo político de Coruripe entra no jogo
Outro nome que pode mexer com a eleição é Marcos Beltrão, integrante de um dos grupos políticos mais conhecidos de Coruripe.
Marcos já ocupou diferentes funções na administração pública e tem experiência em áreas como Educação, Finanças e Governo. Atualmente, exerce a Secretaria de Articulação Institucional de Coruripe.
Seu nome também está associado ao grupo político liderado pelo prefeito Marcelo Beltrão, presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).
É importante fazer essa distinção porque Marcos e Marcelo Beltrão ocupam papéis diferentes: Marcelo é o prefeito de Coruripe e presidente da AMA, enquanto Marcos atua na articulação institucional do município.
A eventual candidatura de Marcos representa, portanto, a entrada direta de uma estrutura política municipal já consolidada na disputa por uma cadeira na Assembleia.
Se conseguir transformar essa força administrativa em votos estaduais, Marcos poderá ser um dos nomes capazes de completar a inédita bancada de três deputados de Coruripe.
Guilherme Lopes: Penedo também quer seu espaço
Enquanto Coruripe pode colocar três nomes no páreo, Penedo aparece representado por Guilherme Lopes.
Filho do prefeito Ronaldo Lopes, Guilherme construiu sua trajetória dentro da administração pública, especialmente na área da saúde.
Ele comandou a Secretaria Municipal de Saúde de Penedo e também passou pela Secretaria de Estado da Saúde, acumulando experiência administrativa antes de entrar de maneira mais direta no jogo político estadual.
Na gestão municipal, esteve à frente de uma das áreas mais sensíveis da administração e ganhou projeção regional.
Sua candidatura acrescenta uma característica importante ao cenário: a disputa não seria exclusivamente coruripense.
Com Guilherme, Penedo e o Baixo São Francisco entram no projeto de formação de uma bancada regional de quatro deputados.
Assim, o desenho seria:
Coruripe: Mesaque Padilha + Marcos Beltrão + Henrique Chicão.
Penedo: Guilherme Lopes.
Litoral Sul: quatro representantes.
Henrique Chicão: a força política da saúde
Outro nome que completa esse cenário é Henrique Chicão, filho do ex-deputado Francisco Carvalho, o Dr. Chicão, e ligado diretamente ao Hospital Carvalho Beltrão.
Henrique foi vereador de Coruripe por três mandatos e chegou à Assembleia Legislativa como suplente, assumindo posteriormente o mandato. Em 2022, obteve 29.351 votos.
A saúde é um dos principais elementos de sua identidade política.
O Hospital Carvalho Beltrão, em Coruripe, tornou-se uma referência regional e atua inclusive na realização de procedimentos de maior complexidade pelo SUS. Ao assumir o mandato, Henrique destacou a importância da unidade hospitalar para a região.
Sua eventual reeleição colocaria mais um nome de Coruripe dentro da Assembleia.
E é justamente aí que a eleição ganha uma dimensão histórica.
Três de Coruripe. Quatro do Litoral Sul.
Imagine o cenário.
Mesaque Padilha eleito.
Marcos Beltrão eleito.
Henrique Chicão eleito.
Guilherme Lopes eleito.
O resultado seria politicamente expressivo:
Coruripe teria três deputados estaduais da terra.
E o Litoral Sul teria quatro representantes na Assembleia Legislativa, considerando também Guilherme Lopes, de Penedo.
Não seria apenas uma vitória individual de quatro candidatos.
Seria a formação de uma bancada regional com capacidade de negociação e influência muito maior na política estadual.
E essa bancada teria diferentes perfis: religião e ação social, articulação política, administração pública, saúde e força municipal.
Mas quem perde espaço?
É aqui que começa a parte mais delicada da equação.
A Assembleia Legislativa não aumenta o número de cadeiras porque determinada região conseguiu eleger mais parlamentares. Portanto, se o Litoral Sul colocar quatro nomes entre os eleitos, esses quatro ocuparão cadeiras que poderiam estar hoje nas mãos de outros grupos e parlamentares.
É o chamado efeito dominó.
Para cada novo grupo que chega, alguém perde espaço.
Por isso, os olhos dos demais candidatos e dos atuais deputados estarão voltados para essa movimentação.
Quem perderá votos?
Quais regiões serão afetadas?
Quais chapas partidárias serão mais competitivas?
E, principalmente, quais atuais deputados terão sua reeleição ameaçada pela entrada desses quatro nomes?
A resposta não está apenas na força individual de cada candidato. Ela passa também pela matemática proporcional, pela composição das chapas e pela capacidade de cada grupo de levar votos para além de suas bases tradicionais.
A eleição que pode redesenhar o mapa político de Alagoas
O cenário ainda está aberto e seria precipitado tratar a eleição dos quatro como algo definido.
Mas, politicamente, a possibilidade já é suficiente para provocar uma discussão importante.
Se Mesaque Padilha, Marcos Beltrão, Henrique Chicão e Guilherme Lopes conseguirem transformar suas estruturas políticas em votação suficiente para conquistar quatro cadeiras, o Litoral Sul poderá sair das eleições de 2026 muito maior do que entrou.
E Coruripe, especificamente, poderá viver um momento histórico.
Pela primeira vez, o município poderá ter três deputados estaduais diretamente ligados à sua política local, enquanto Penedo acrescentaria mais um nome à representação regional.
No fim, a pergunta que fica para os próximos meses é simples, mas politicamente incômoda:
Se o Litoral Sul eleger quatro e Coruripe colocar três deputados na Assembleia, quem terá de arrumar as malas e desocupar as cadeiras para que essa nova bancada regional possa chegar?
A resposta será dada pelas urnas. Mas a disputa pelo espaço já começou.
por; Zé Bonitinho


