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“Um iPhone em uma pintura de 1937?” a história explicada

Uma pintura feita em 1937, pelo artista ítalo-americano Umberto Romano, voltou a viralizar nas redes sociais depois que internautas perceberam um detalhe bastante estranho.

A obra se chama Mr. Pynchon and the Settling of Springfield (“O Sr. Pynchon e a Colonização de Springfield”) e retrata acontecimentos relacionados à formação de Springfield, Massachusetts, nos Estados Unidos.

No canto da pintura aparece um homem indígena segurando um pequeno objeto retangular, escuro e aparentemente brilhante. Ele olha para o objeto de uma maneira que, para os olhos de alguém do século XXI, lembra imediatamente uma pessoa mexendo em um smartphone.

E aí nasceu a pergunta que tomou conta das redes:

“Como alguém poderia estar segurando um iPhone em uma pintura feita em 1937?”

Alguns usuários chegaram a sugerir que o homem seria um viajante do tempo que teria levado um celular para o passado.

 Mas tem um problema…

O primeiro iPhone só foi apresentado em 2007 , 70 anos depois da pintura.

E a cena retratada na obra é ainda mais antiga: representa acontecimentos do período colonial, no século XVII.

Portanto, se aquilo realmente fosse um smartphone, teríamos um problema gigantesco com a história.

A explicação mais provável: um espelho

Historiadores e pesquisadores apontam uma explicação muito mais simples: o objeto provavelmente é um pequeno espelho.

Isso faz sentido porque espelhos portáteis eram objetos que podiam circular entre colonizadores europeus e povos indígenas durante o período colonial. Além disso, a maneira como o personagem segura e observa o objeto é compatível com alguém olhando o próprio reflexo.

Mas existe uma ressalva importante: não há uma identificação definitiva do objeto. Outras interpretações já foram levantadas, incluindo ferramentas ou outros objetos metálicos. Ou seja, “é um espelho” é a explicação mais plausível, mas não uma identificação comprovada pelo próprio artista.

 E por que a pintura parece tão moderna?

Esse é provavelmente o aspecto mais interessante da história.

Romano utilizava um estilo bastante abstrato, com formas simplificadas e objetos que não necessariamente seguem uma representação realista. Isso faz com que algumas partes da pintura possam ser interpretadas de maneiras diferentes.

Além disso, nosso cérebro naturalmente tenta reconhecer objetos familiares. Hoje vemos um retângulo escuro sendo segurado diante do rosto e pensamos imediatamente:

“celular!”

Para alguém do século XVII, entretanto, a interpretação poderia ser completamente diferente.

 A pintura é real? Sim.

A obra realmente existe e faz parte de um conjunto de murais produzidos durante o Federal Art Project, programa criado nos Estados Unidos durante a Grande Depressão para empregar artistas.

Romano produziu seis murais relacionados à história de Springfield. A obra mostra William Pynchon, um dos fundadores da cidade, cercado por colonizadores europeus e indígenas.

 Então é prova de viagem no tempo? Não.

Até agora, não existe nenhuma evidência científica ou histórica de que o objeto seja um smartphone — muito menos de que seja prova de viagem no tempo.

O que temos é uma imagem extremamente curiosa, um objeto ambíguo e uma interpretação moderna que viralizou nas redes.

E justamente por isso a história é tão divertida: um objeto provavelmente comum de 400 anos atrás consegue parecer exatamente um iPhone para quem olha para ele hoje.

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