Compesa aposta em tecnologia com esfera inteligente para caçar vazamentos
A busca por eficiência no saneamento básico ganhou um reforço tecnológico que promete transformar a rotina de manutenção das redes de distribuição. A Companhia Pernambucana de Saneamento iniciou um projeto-piloto voltado para a detecção de vazamentos e anomalias nas tubulações sem que haja a necessidade de interromper o fornecimento de água para a população. A iniciativa aposta na inovação para reduzir perdas operacionais e otimizar os recursos hídricos disponíveis.
O foco central da operação é a utilização de uma esfera tecnológica equipada com recursos avançados de monitoramento. A ferramenta percorre o interior das redes subterrâneas mapeando falhas estruturais, desvios e pontos de vazamento que muitas vezes passam despercebidos pelos métodos tradicionais de inspeção física ou escavação.
Inovação acústica e inteligência artificial nas redes
O funcionamento do equipamento baseia-se no uso de sensores acústicos combinados com inteligência artificial. Conforme o dispositivo flutua junto com o fluxo interno do líquido, ele emite e capta variações nas ondas sônicas que percorrem a tubulação metálica ou de concreto.
Qualquer alteração na sonoridade interna sinaliza a presença de uma trinca, um ponto de derivação não autorizado ou um vazamento oculto. Essa tecnologia também consegue mapear bolsões de ar acumulados, permitindo que as equipes técnicas identifiquem com precisão milimétrica onde estão os problemas estruturais sem intervenções invasivas na superfície.
Primeiros testes e metas de recuperação de água
A fase inicial de testes ocorreu em um trecho estratégico que liga a Adutora de Duas Unas, em Jaboatão dos Guararapes, até a Estação de Tratamento de Tapacurá, em São Lourenço da Mata. Ao todo, a esfera percorreu cerca de oito quilômetros de dutos durante essa primeira demonstração prática do funcionamento do sistema.
O planejamento estratégico da companhia prevê a inspeção total de aproximadamente 70 quilômetros de adutoras na Região Metropolitana do Recife. A meta traçada com a execução completa dessa tecnologia é recuperar até 65 mil metros cúbicos de água por ano, evitando o desperdício em sistemas nevrálgicos de abastecimento.
Parceria estratégica e sustentabilidade operacional
A implantação do projeto ocorre por meio de um acordo de cooperação técnica estabelecido com a Amazon, viabilizando a execução dos trabalhos sem custos adicionais para a companhia estadual. A gestão eficiente de recursos hídricos é apontada por especialistas como um dos maiores desafios do saneamento moderno no Brasil.
Além da economia financeira gerada pela diminuição de perdas, a metodologia evita transtornos urbanos decorrentes de grandes buracos nas ruas para reparos preventivos. Os dados coletados pela tecnologia da Aganova são processados por repetidores de sinal e transformados em relatórios detalhados para intervenções cirúrgicas.
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