Estudo revela falhas estruturais em Utis brasileiras e médicos exigem mais do que ampliação de leitos
A avaliação das unidades de terapia intensiva no Brasil aponta uma diferença expressiva na percepção sobre a qualidade dos serviços públicos e privados. Pesquisa realizada com milhares de especialistas destaca que as notas positivas são significativamente maiores na rede particular, enquanto as avaliações negativas se concentram nos hospitais do sistema público.
O levantamento ouviu profissionais que atuam na assistência de alta complexidade em todo o país. A iniciativa buscou mapear a realidade da terapia intensiva sob a ótica de quem está na linha de frente do cuidado a pacientes graves, avaliando itens essenciais para o funcionamento adequado dos setores.
Desigualdade na avaliação entre serviços públicos e privados
Os dados revelam que as notas positivas atribuídas às unidades privadas chegam a ser o dobro das registradas nos hospitais públicos. Em contrapartida, as avaliações ruins e péssimas são substancialmente mais frequentes quando o atendimento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde.
Itens como infraestrutura, fluxo de pacientes e disponibilidade de insumos foram pontuados por médicos que enfrentam rotinas intensas. Para a Agência Brasil, a análise conjunta desses indicadores evidencia gargalos estruturais históricos que comprometem a assistência em alta complexidade.
Disponibilidade de medicamentos e protocolos clínicos
A escassez de insumos básicos é um dos pontos mais críticos apontados pelos especialistas. Apenas uma parcela reduzida dos médicos que atuam na rede pública relata acesso totalmente adequado a medicamentos essenciais para o manejo clínico.
No setor privado, esse índice de aprovação é consideravelmente maior. A mesma disparidade ocorre na oferta e no acesso a protocolos de atendimento e condutas médicas padronizadas, essenciais para salvar vidas em cenários de emergência.
A necessidade de priorizar a gestão e a equipe
Diante do cenário diagnosticado, entidades médicas reforçam que a solução para o sistema não se resume à abertura numérica de novas vagas. É preciso investir na qualificação completa da rede assistencial.
Isso inclui a presença garantida de equipes multiprofissionais especializadas, suporte adequado de enfermagem com formação intensiva e melhoria nos processos internos, impactando diretamente dezenas de milhares de leitos adultos e pediátricos espalhados pelo território nacional.
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