
A crise política que envolve o comando da Prefeitura de Piaçabuçu ganhou nesta sexta-feira (28) um dos seus capítulos mais tensos. Depois de meses de decisões judiciais, recursos, acusações e incertezas, o município amanheceu diante de uma nova realidade: Rymes Lessa deixou o cargo e o presidente da Câmara Municipal, Wisney André, assumiu interinamente o comando do Executivo.
Mas a mudança de prefeito não encerra a disputa. Pelo contrário. O episódio desta sexta-feira coloca a crise em um novo estágio e abre caminho para uma nova sequência de embates políticos e judiciais que podem definir os rumos do município.
A batalha começou a se desenhar a partir das ações eleitorais que questionaram a conduta da administração durante as Eleições 2024. Rymes Lessa e o vice-prefeito Carlos Ronalsa passaram a responder a acusações de abuso de poder político e econômico e prática de condutas vedadas em ano eleitoral.
Entre os fatos analisados pela Justiça estão a distribuição gratuita de 45 toneladas de cestas básicas, 30 toneladas de alimentos durante a Semana Santa e 7 mil ovos de Páscoa, além da utilização de estrutura pública em evento partidário e da realização de eventos considerados de promoção político-eleitoral.
A partir daí, o que parecia ser uma disputa jurídica transformou-se em uma crise política de grandes proporções.
Da Justiça para dentro da Prefeitura
Em primeira instância, a Justiça Eleitoral determinou a cassação dos diplomas de Rymes Lessa e Carlos Ronalsa, além de declarar ambos e o ex-prefeito Djalma Beltrão inelegíveis por oito anos.
A defesa de Rymes Lessa contestou a decisão e afirmou que os atos da gestão seguiram os princípios legais e administrativos, destacando que havia possibilidade de recurso.
O caso, entretanto, avançou para o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), e a pressão sobre o grupo político de Rymes aumentou.
Agora, a disputa chegou ao ponto mais sensível: quem efetivamente ocupa a cadeira de prefeito.
Com a determinação judicial para o afastamento de Rymes Lessa, o presidente da Câmara Municipal foi convocado a assumir o Executivo de forma interina.
Uma troca de comando marcada por tensão
A chegada de Wisney André à Prefeitura, porém, não foi uma simples transição administrativa.
Segundo informações apuradas, o novo prefeito interino encontrou dificuldades para acessar o prédio. As chaves da sede da Prefeitura não teriam sido disponibilizadas, sendo necessário o acionamento de um chaveiro.
A situação ganhou ainda mais repercussão quando foi constatada a presença de chiclete na fechadura da porta, dificultando o acesso ao prédio.
A Polícia foi acionada para acompanhar a situação.
Depois da tensão, Wisney conseguiu entrar na sede da Prefeitura e passou a exercer o comando do município.
O episódio, que poderia ser apenas uma formalidade de transição, acabou se transformando em uma imagem simbólica do momento político vivido por Piaçabuçu: uma Prefeitura no centro de uma disputa que já dura meses e que ainda não chegou ao seu desfecho.
Base de Rymes reage
Enquanto Wisney André assumia o Executivo, vereadores ligados à base de Rymes Lessa contestaram o ato de posse.
A reação mostra que a mudança de comando não representa consenso político no município.
De um lado, Wisney André passa a comandar interinamente a Prefeitura. Do outro, o grupo político de Rymes Lessa promete continuar a batalha na Justiça.
E é justamente nos tribunais que pode estar o próximo capítulo dessa história.
Rymes ainda pode voltar ao cargo?
A possibilidade de novos recursos mantém o cenário aberto.
Rymes Lessa e Carlos Ronalsa devem recorrer da decisão junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que significa que a situação política do município ainda pode sofrer novas mudanças.
Enquanto isso, Piaçabuçu passa a ser administrada por um prefeito interino, sem que esteja definido de maneira definitiva quem comandará o município até o fim do atual ciclo eleitoral.
A situação também coloca Wisney André diante de um enorme desafio: administrar a cidade enquanto uma disputa política e jurídica continua em andamento.
Uma crise sem ponto final
O que começou com acusações relacionadas às Eleições 2024 evoluiu para decisões judiciais, cassações, recursos, disputa política e, agora, uma troca de comando marcada por tensão dentro da própria Prefeitura.
A cada novo movimento, a crise ganha um capítulo diferente.
E a pergunta que fica para os próximos dias é inevitável:
Wisney André permanecerá no comando até uma nova eleição ou a Justiça poderá mudar novamente o cenário político de Piaçabuçu?
A resposta está nas mãos da Justiça Eleitoral.
Até lá, a população acompanha uma disputa que já atravessa meses e que, pelo cenário atual, ainda está longe de chegar ao último capítulo.
por; Alagoas em Rede


