Abras aponta alta de 2,70% no consumo dos lares brasileiros até setembro
O consumo nos lares brasileiros registrou alta de 2,70% no acumulado de janeiro a setembro, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O percentual aponta para uma estabilidade na comparação com o resultado acumulado até agosto, que ficou em 2,71%, demonstrando um comportamento resiliente das famílias brasileiras na hora de ir às compras em Agência Brasil.
Na leitura mensal, o indicador apresentou variação positiva de 0,59% em setembro quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, na comparação entre agosto e setembro, houve uma retração de 1,46%, movimento que interrompe uma sequência de dois meses consecutivos de alta, registrando 3,01% em julho e 2,21% em agosto.
Trajetória e mercado de trabalho
Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o consumo mantém uma trajetória positiva ao longo do ano, mesmo em um cenário desafiador em que as famílias precisam equilibrar o abastecimento doméstico com os demais compromissos financeiros. O resultado acumulado reflete a continuidade desse movimento de ajuste e busca por equilíbrio no orçamento familiar.
Milan destacou que os indicadores recentes do mercado de trabalho seguem em patamares favoráveis, servindo como suporte fundamental para a manutenção das compras nos supermercados. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, marcando o maior contingente da série histórica.
Outro ponto que impulsionou o poder de compra foi o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos, que chegou a R$ 3.777, com avanço de 3,7% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Além disso, a massa de rendimento real habitual alcançou o recorde de R$ 385,6 bilhões, crescendo 4,8% na comparação anual, o que representa um acréscimo expressivo de R$ 17,5 bilhões.
Injeção de recursos na economia
O dirigente também pontuou a importância de programas de transferência de renda e liberações financeiras que ocorreram no período. O Bolsa Família, por exemplo, destinou R$ 13,04 bilhões para cerca de 19,3 milhões de famílias no mês de setembro.
No âmbito judicial e tributário, o Conselho da Justiça Federal liberou R$ 3,22 bilhões aos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), contemplando mais de 278 mil beneficiários. A economia também recebeu o reforço do pagamento de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.
Desafios e perspectivas futuras
Entre os fatores que influenciam o setor, Milan avaliou que a isenção de impostos para produtos da cesta básica, com ampliação para incluir proteínas como carne, frango e peixe, representa um alívio importante para o consumidor. Contudo, o setor mantém cautela em relação a possíveis novas cargas tributárias que possam incidir sobre os demais itens de consumo.
A entidade também demonstrou atenção voltada ao endividamento das famílias e aos impactos de medidas legislativas recentes, como a aprovação do fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. A preocupação central do setor supermercadista é assegurar que as mudanças ocorram sem desorganizar o complexo sistema de abastecimento nacional.
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