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Copa do Mundo começa nesta quinta com formato inédito, em meio a guerra e a política anti-imigração de Trump

Os EUA, com 11 cidades-sede, serão os principais anfitriões do torneio. Todos os jogos de mata-mata, com exceção de um a ser disputado no Azteca, ocorrerão em campos americanos.

Na fase de grupos, as seleções estão divididas em 12 grupos de quatro integrantes. Eles jogam contra si, e os dois primeiros de cada grupo avançam, juntamente com os oito melhores terceiros colocados.

A partir daí, os 32 classificados passam para a fase de mata-mata – que terá uma rodada a mais do que as Copas anteriores.

Também pela primeira vez, a Copa do Mundo terá três países-sede. A competição já foi distribuída entre duas nações em 2002, com Japão e Coreia do Sul recebendo os jogos.

Dos 16 estádios onde as partidas serão realizadas, três ficam no México (Cidade do México, Guadalajara e Monterrey), e duas, no Canadá (Vancouver e Toronto).

EUA x Irã

Os EUA, com 11 cidades-sede, serão os principais anfitriões do torneio. Todos os jogos de mata-mata, com exceção de um a ser disputado no Azteca, ocorrerão em campos americanos.

Esse protagonismo também é fonte de tensões já fortes antes mesmo do primeiro toque na bola.

A Copa do Mundo ocorre em meio ao reinício das agressões entre EUA e Irã, que fazem ressurgir a guerra iniciada em fevereiro pelos americanos e por Israel.

A relação do governo Trump em relação à delegação iraniana é de uma hostilidade indisfarçável. A seleção se hospedaria em Tucson, no Arizona, mas mudou seus planos e se estabeleceu em Tijuana, no México, depois que os EUA disseram que não permitiriam que jogadores e comissão pernoitassem em seu território durante o evento.

Além disso, muitos membros da comissão tiveram seu visto negado, e os jogadores tiveram os vistos americanos aprovados apenas na semana passada.

As restrições atingiram também os torcedores do país. Na terça-feira (9), dois dias antes do início do torneio, os EUA anunciaram a retirada da cota de 8% dos ingressos por partida destinada aos iranianos em jogos de sua seleção.

Barrados

Mas a seleção iraniana não é a única a sentir os efeitos das políticas de Trump. O governo do republicano tem apostado em uma forte agenda anti-imigração, que afetou outros competidores.

O atacante iraquiano Aymen Hussein foi detido e interrogado por sete horas logo após pousar em Chicago. O fotógrafo oficial da delegação do Iraque teve conteúdos de seu celular checados e sua entrada nos EUA foi negada.

O caso mais comentado pela imprensa internacional, no entanto, foi do árbitro somali Omar Artan.

A comunidade somali é um alvo constante de Trump em sua retórica anti-imigração. O republicano os chama frequentemente por termos depreciativos, como “país de quarto mundo”.

A comunidade somali de Minneapolis foi o principal alvo do ICE, o serviço de imigração dos EUA, em uma grande operação na cidade que terminou com a morte de dois americanos, Renee Good e Alex Peretti.

A Fifa, por sua vez, tem evitado entrar em confronto direto com o governo americano.

“É lamentável o que aconteceu com Omar (Artan), o árbitro da Somália”, disse o presidente da entidade, Gianni Infantino, nesta quarta (10). “Mas, novamente, não controlamos tudo. (…) Estamos trabalhando nos bastidores, tentando entender a situação.”

Por; Redação

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