
Passada uma noite de êxtase, de alívio e, talvez, de sono, é hora de avaliar o que foi essa classificação do Brasil contra o Japão. A Seleção sofreu literalmente até o último minuto, o que, ok, faz parte da Copa do Mundo. E demonstrou resiliência e força para lutar, de novo, literalmente até o último minuto. Mas alguns erros precisam ser evitados, sob pena de o último minuto não ser suficiente para avançar.
A Seleção retorna para Morristown, treina na manhã desta terça e depois terá umas horas de folga até a tarde de quarta. O jogo contra o vencedor de Noruega e Costa do Marfim é no domingo. Tem tempo para ajustar.
Comecemos pelos erros. Ancelotti tem cinco dias para achar uma alternativa melhor quando for ele a ter a bola e propor o jogo. A tática adotada contra a Escócia foi exatamente a mesma do Japão contra o Brasil. E assim como os escoceses, os brasileiros caíram na armadilha da posse de bola improdutiva.
A Seleção teve enormes dificuldades para sair jogando desde a defesa. Alisson, em determinado momento, chutou a bola em cima de um atacante. E, no mais grave dos erros, Danilo errou um passe, por falta de dinâmica de jogo, que se transformou no gol japonês.
— Falamos desse aspecto antes da Copa. O futebol tem erros, não se pode evitar. Ninguém é perfeito. O que precisamos é ajustar como nos recuperaremos dos erros. É o que temos feito. Fizemos isso no segundo tempo. Ninguém pensava que esse time não ia fazer gol — comentou o técnico.
Convicções de Ancelotti
Aí entram seus méritos. Foi convicção sua manter Casemiro no segundo tempo, mesmo pendurado e de má atuação no primeiro. Foi ele quem adaptou Martinelli ao meio-campo, o que devolveu Vini Jr para a esquerda. A bola aérea começou a entrar e o gol parecia mesmo questão de tempo. Mesmo que muito tempo.
— O sofrimento é normal, não é uma novidade no futebol. Como também é normal o alívio. Tivemos um jogo completo, com problemas e soluções. Foi uma evolução — concluiu o treinador.
A vitória chegou ao estilo Ancelotti do Real Madrid. Com organização, com insistência e com coração. Com a camiseta. O desafio é achar o equilíbrio para quando a camiseta não resolver.



