Cautela fiscal impulsiona alta de 0,74% do dólar rumo a R$ 5,50
O mercado financeiro brasileiro encerrou esta terça-feira (3) sob forte pressão, com o dólar em alta e a bolsa de valores ampliando as perdas em meio a um ambiente de cautela fiscal. A moeda norte-americana avançou 0,74%, cotada a R$ 5,486, após superar momentaneamente a marca de R$ 5,50 durante o pregão. O movimento reflete a reação dos investidores às incertezas econômicas e à expectativa em torno da decisão sobre a taxa básica de juros.
Enquanto o cenário internacional exibia oscilações modestas, os ativos nacionais continuaram a sentir os reflexos das discussões sobre o rumo das contas públicas. A cautela predominou nos negócios, influenciando tanto o mercado de câmbio quanto o desempenho da bolsa de valores ao longo do dia.
Repercussão no câmbio
O dólar comercial registrou valorização expressiva e fechou próximo ao patamar de R$ 5,50. Durante a sessão, a cotação máxima atingiu R$ 5,509 por volta das 13h50, impulsionada pela busca de proteção por parte dos agentes financeiros.
As negociações refletiram as dúvidas persistentes sobre a condução da política econômica e as diretrizes fiscais do governo. Declarações oficiais descartando alterações profundas no regime monetário e reforçando a defesa de um ajuste fiscal gradual também entraram no radar dos investidores.
No exterior, o índice DXY, que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas fortes, operou em leve alta de 0,13%, alcançando 101,850 pontos no final da tarde.
Ibovespa amplia perdas
A bolsa de valores brasileira acompanhou o nervosismo cambial e o Ibovespa fechou a terça-feira em baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, conforme dados preliminares. O principal índice da B3 chegou a registrar a mínima de 164.446,53 pontos no início da sessão.
O resultado representou o sexto pregão consecutivo de retração para o mercado acionário nacional. O desempenho foi pressionado pelo recuo nos papéis de maior liquidez, como os da Petrobras e da Vale, em consonância com os ajustes nos preços internacionais de commodities.
As incertezas domésticas superaram o clima de recuperação observado em alguns mercados externos, mantendo o apetite ao risco em níveis reduzidos no país.
Expectativa pelo Copom
A atenção do mercado voltou-se decisivamente para a reunião do Comitê de Política Monetária, com os investidores monitorando os próximos passos da taxa Selic, mantida em 13,75% ao ano.
Projeções econômicas divulgadas recentemente apontaram elevação nas expectativas para a inflação e para os juros futuros, adicionando complexidade ao cenário avaliado pela autoridade monetária. O comunicado oficial que acompanhará a decisão do Banco Central deverá orientar o comportamento dos ativos nos próximos pregões.
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