Suíça a caminho de referendo sobre construção de novas centrais nucleares
Durante os debates no parlamento, o ministro da Energia, Albert Rosti, salientou a necessidade de manter em aberto a opção da energia nuclear para garantir o abastecimento energético do país a longo prazo.

O parlamento suíço aprovou, na quinta-feira, um plano governamental controverso para a construção de novas centrais nucleares, revogando uma proibição de 2018 e colocando o país no caminho para um referendo.
A Câmara Baixa do parlamento juntou-se à Câmara Alta no apoio a uma proposta do governo para reverter a proibição imposta na sequência de um referendo vencido pelos ativistas antinucleares em 2017.
Durante os debates no parlamento, o ministro da Energia, Albert Rosti, salientou a necessidade de manter em aberto a opção da energia nuclear para garantir o abastecimento energético do país a longo prazo.
Ambas as câmaras afirmam que a autorização para novas centrais nucleares só pode ser concedida se o financiamento estiver assegurado.
Uma ampla coligação de grupos “vai lançar um referendo”, afirmou o Partido Verde em comunicado.
A presidente dos Verdes, Lisa Mazzone, referiu que a votação no parlamento “sabota o rápido desenvolvimento das energias renováveis, a proteção do clima e a nossa soberania energética”.
A recolha de assinaturas para o referendo terá início este mês, informou o partido.
Para desencadear um referendo ao abrigo do sistema de democracia direta da Suíça, é necessário recolher 50.000 assinaturas válidas no prazo de 100 dias após a publicação de uma nova lei, um obstáculo que a coligação deverá conseguir ultrapassar.
“Apólice de seguro”
O governo suíço tem vindo a pressionar, desde 2024, para reverter a proibição, invocando a necessidade crescente de eletricidade nacional com baixas emissões de carbono para atingir o seu objetivo de emissões líquidas nulas até 2050.
Foram também invocados os receios de escassez associados a acontecimentos mundiais, tais como a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão e a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, bem como a dependência da Suíça das importações de eletricidade no inverno.
O projeto do governo defende que permitir a construção de novas centrais nucleares “criaria uma apólice de seguro para o abastecimento de eletricidade”, caso as energias renováveis sejam insuficientes ou não existam outras “soluções respeitadoras do clima para garantir a produção de eletricidade”.
Os suíços aprovaram a eliminação gradual da energia nuclear no referendo de 2017, proibindo a construção de novas centrais.
Essa lei foi o resultado de um longo processo iniciado após o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, que foi provocado por um tsunami. A Suíça continua a operar quatro reatores nucleares cuja construção remonta ao século XX. Beznau 1, que entrou em funcionamento em 1969, é o reator nuclear em funcionamento mais antigo da Europa. Deixará de funcionar em 2033, enquanto Beznau 2, ligado à rede desde 1971, encerrará um ano antes, em 2032. Gosgen e Leibstadt entraram em funcionamento em 1979 e 1984, respetivamente.



